Se o seu apelido é Mendes, começaria por 门/門 Mén. É o primeiro carácter de 门德斯 Méndésī, uma transcrição chinesa documentada, e também é um apelido por si só. 孟 Mèng merece uma comparação se preferir outro carácter e um tom descendente, mas muda o som final da sílaba. Entre os dois, 门 conserva a ligação escrita mais direta.

O sentido corrente de 门 é «porta». Isso pode agradar-lhe, mas não explica a origem de Mendes. A escolha mais simples é sonora e gráfica: guardar o início da forma chinesa do seu apelido, sem lhe atribuir uma nova história familiar.

Um início documentado, não uma tradução de «porta»

Uma notícia da Universidade de Macau publicada no portal do Governo de Macau apresenta Carmen Amado Mendes como 卡门·阿曼多·门德斯. A correspondência permite verificar o uso de 门德斯 para um apelido português. Não obriga todas as pessoas chamadas Mendes a usarem essa mesma transcrição; se já utiliza outra forma estável, essa deve ser o seu primeiro ponto de comparação.

门 Mén, tradicional 門, é efetivamente um apelido. O dicionário do Ministério da Educação de Taiwan inclui o uso como apelido na entrada mén, com o segundo tom, ascendente. Não estamos a pressupor que qualquer carácter usado numa transcrição estrangeira pode funcionar como apelido chinês.

A diferença entre a escrita simples 门 e a tradicional 門 interessa no uso quotidiano. Pode aprender a reconhecer ambas, mantendo a forma adequada ao contexto em que escreve. Para explicar a escolha, basta dizer 我姓门,门德斯的门, «O meu apelido é Mén, o primeiro carácter de Méndésī».

A imagem de uma porta é opcional. Não significa que a sua família portuguesa descenda de porteiros nem que o novo nome prometa abrir oportunidades. Também não é preciso tratar todos os sentidos do carácter como uma descrição de si.

O que o som Mén conserva e o que perde

A referência colaborativa Wiktionary distingue a pronúncia de Portugal **/ˈmẽ.dɨʃ/** das brasileiras. Na leitura aqui usada, a primeira sílaba é tónica e contém uma vogal nasal; o final português não tem as três sílabas separadas de Mén-dé-sī. A pronúncia da sua própria família continua a ser o ponto de partida.

O m inicial permanece reconhecível em Mén. No entanto, o -en do mandarim contém uma vogal seguida de uma consoante nasal; não reproduz exatamente a vogal nasal portuguesa /ẽ/. Ao ficar apenas com 门, perde ainda toda a parte -des. O tom ascendente é uma característica do apelido chinês, não uma reprodução do acento tónico de Mendes.

Há, portanto, duas etapas diferentes a ter em conta. A transcrição completa adapta Mendes a sílabas chinesas. A escolha de 门 retém só o primeiro carácter dessa adaptação. Se deseja que o apelido português continue facilmente identificável, pode manter Mendes / 门德斯 ao lado do seu nome chinês.

Mén ou Mèng: a letra g faz diferença

孟 Mèng também é um apelido, confirmado sob essa leitura no dicionário ministerial. Pronuncia-se com o quarto tom, descendente. Compará-lo com 门 permite ouvir duas mudanças: Mén termina em -n, enquanto Mèng termina em -ng; além disso, o segundo tom dá lugar ao quarto.

Não se trata de acrescentar um *g* português depois de *men*. O grupo ng do pinyin indica uma consoante nasal articulada mais atrás na boca. Escolher 孟 é, por isso, trocar o primeiro carácter da transcrição por um apelido de som próximo, não extrair um carácter já presente em 门德斯. Também não recupera automaticamente a nasalidade portuguesa.

Nos seus usos lexicais, 孟 pode referir o mais velho entre irmãos ou o primeiro mês de uma estação. Essas aceções não dizem que quem escolhe este apelido tem de ser o filho mais velho. O nome também não impõe uma preferência filosófica ou religiosa.

Eu experimentaria 孟 se a sua escrita ou o tom descendente lhe agradarem mais no nome completo. Se o objetivo for apenas conservar Mendes com a menor alteração possível relativamente à transcrição, 门 mantém a vantagem. Não há dados aqui que permitam prometer que uma das duas opções será reconhecida ou pronunciada corretamente por todas as pessoas.

Mendes guarda um nome de pessoa

O *Dictionary of American Family Names*, reproduzido pela Ancestry, explica Mendes como patronímico de Mendo, forma abreviada de Menendo. O ponto de partida é, assim, um nome pessoal, não uma porta, uma profissão ou uma qualidade que deva passar obrigatoriamente para o seu nome chinês.

A Real Academia Galega, na entrada Mendo, descreve a transformação medieval a partir de *Ermenegildus* e regista Mendo como correspondente português. Esta história ajuda a perceber como uma forma curta pode afastar-se muito do nome antigo que lhe deu origem. Não identifica uma única família Mendes nem liga o leitor a um dos condes medievais que usaram Mendo.

É tentador recuar mais e transformar uma explicação da raiz germânica num carácter chinês. Há, porém, uma incerteza relevante: Ciberdúvidas, citando o dicionário onomástico de José Pedro Machado, assinala que a composição de Hermenegildo é controversa. Escolher um apelido chinês como se Mendes fosse simplesmente uma palavra para «tributo» ou «totalidade» tornaria essa cadeia histórica muito mais segura do que a evidência permite.

Por isso não proponho aqui um terceiro apelido só para representar o «significado». A ligação comprovada a Mendo já explica a origem patronímica; não precisa de se tornar uma promessa ou uma característica sua.

A história não obriga a escolher um antepassado chinês

A mesma cautela vale para uma associação cultural. Um patronímico não oferece, por si só, um ofício chinês equivalente. Escolher o apelido de um filósofo porque se escreve 孟, ou o de um guardião porque 门 significa porta, acrescentaria uma história diferente da que está a ser preservada.

Pode ter um interesse pessoal por qualquer dessas histórias e fazer outra escolha a partir dele. Aqui, porém, 孟 permanece uma alternativa sonora e 门 conserva o começo da transcrição. Nenhum depende de uma ascendência chinesa, de uma profissão familiar ou de uma crença que o seu apelido português não demonstra.

Também foi verificado 德 Dé, o carácter do meio de 门德斯. O dicionário chinês regista-o como apelido. Retê-lo deslocaria a ligação para uma parte posterior da transcrição e eliminaria Men-. Como há duas opções iniciais comparáveis, não o colocaria à frente delas sem uma razão concreta no seu nome completo.

Decidir com o nome que vai usar

Escreva o seu nome próprio chinês depois de 门 e depois de 孟. Diga os dois nomes completos, prestando atenção ao final nasal e ao tom do apelido. Depois, peça a alguém que leia os caracteres sem ver primeiro o pinyin. Estes são passos de experimentação; não são resultados de um teste já feito consigo.

Se escolher 门 Mén, a explicação pode ser: «Conservei o primeiro carácter de 门德斯». Se escolher 孟 Mèng, será: «Preferi um apelido de som próximo, com outra escrita e outro tom». A segunda é uma escolha legítima, desde que não seja apresentada como uma cópia exata da primeira sílaba portuguesa.

Começaria por 门. Compararia 孟 se houver uma preferência real pela forma escrita ou pelo som do nome completo. A história de Mendes continua a ser a do seu apelido original; o nome chinês acrescenta uma forma de se apresentar.

Nota sobre a lista portuguesa

Na lista histórica da SPIE usada nesta série, MENDES ocupa a posição derivada 24, com uma frequência publicada de 146 milhares, arredondada, e 1,39%. O documento refere-se a 2004 e é consultável na cópia arquivada do PDF. Não significa exatamente 146 000 pessoas, nem uma contagem atual. Embora o título anuncie cem apelidos, o ficheiro recuperado contém 96 linhas de apelidos distintos; esta série não preencheu as restantes por suposição.